Isto É Gente (09/04/01)

Dora Vergueiro
O som da aventureira


Apaixonada por natureza e esportes radicais, a filha do cantor e compositor Carlinhos Vergueiro lança seu segundo CD, é apresentadora do SporTV e sonha em viver num paraíso com violão, praia e filhos.

Edwin Paladino

Uma marca de sua personalidade é ser impulsiva. Aos 16 anos, de mochila nas costas, decidiu viajar pelo litoral brasileiro de carona, do Rio de Janeiro até o Nordeste.


"Me deu vontade, eu fui", conta. Entre uma cidade e outra, Dora Vergueiro trabalhou de garçonete para garantir seu sustento e continuar a viagem. "Sou atirada. Quero tudo ao mesmo tempo, todos os lugares, amores e sabores", completa.


Com este apetite para provar de tudo, aos 25 anos, Dora administra duas carreiras diferentes: a de cantora e a de apresentadora de tevê. Dá asas a suas loucuras no comando dos programas Rolé e Zona de Impacto, sobre esportes radicais no canal pago SporTV. Diante das câmeras, salta de pára-quedas, asa-delta, faz rafting e rapel. Mas a adrenalina é contrabalançada com as melodias de MPB. O talento musical corre nas veias. Dona de uma voz suave, a filha do cantor e compositor Carlinhos Vergueiro acaba de lançar Pé na Estrada, seu segundo CD solo.


"Ela tem presença de palco e canta muito bem, mas fico nervoso quando a vejo pular de pára-quedas na tela", afirma Carlinhos.


O talento para a música foi descoberto na infância. Aos 9 anos, acompanhava da platéia os acordes do violão do pai, numa casa noturna de São Paulo, quando ele a convidou para subir no palco. Diante do público, ela improvisou os versos do samba "Capela", de Nelson Cavaquinho. "Fui ovacionada", lembra Dora. Em 1997, lançou o primeiro disco. A canção "Leve", da parceria de Chico Buarque com Carlinhos Vergueiro, batizou o CD. "Caiu como um presente", diz.


No mesmo ano, ela estreou como apresentadora.


"Tenho tudo a ver com o estilo dos programas", garante. Apesar de paulistana, ela se enxerga como uma legítima carioca. Acorda cedo, nada, corre, faz ginástica e se aventura com os surfistas quando as ondas estão baixas. "Tenho medo de mar grande", confessa. "mas os surfistas me perdoam, afinal sou uma mulher que também voa de asa-delta e faz rapel no elevador Lacerda, em Salvador", acrescenta ela, apontando o vídeo-clipe da canção "Pé na Estrada", no qual mostra as habilidades de esportista. "Escrevi a letra pensando em minhas aventuras".


O diretor do Rolé, Jorge Nassaralla, elogia a performance de Dora na tevê: "Ela manda bem em todos os esportes que pratica. É a cara do programa e adora conhecer coisas novas". No Rio de janeiro, Dora mora sozinha em São Conrado, zona sul, numa casa em um morro com cachoeira. Lá, quando não está gravando o programa pelo País, prefere o som do violão à agitação da vida noturna. "Sou do dia", diz ela, apaixonada pelas praias de Fernando de Noronha e Mangue Seco, na Bahia. E é num lugar paradisíaco, onde vislumbra criar seus filhos daqui alguns anos.