Quinta, 10 de maio de 2001

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Dora Vergueiro... pôs o pé na estrada.

Quem é Dora? O espírito da aventura encarnado em uma mulher. Linda, forte, geniosa e determinada, essa geminiana não se valeu dos sobrenomes de peso em sua família para fazer carreira e sucesso. Além de cantora é apresentadora do programa Rolé, na Sportv, um dos maiores índices de audiência de Tvs a cabo. Dora está lançando seu segundo Cd Pé na Estrada.

O disco lembra bastante o clima do Rolé; muita viagem, praia, capoeira, foi intencional?
A música é muito passional na minha vida, assim como essa parte de viajar, conhecer muitas culturas, pessoas, temperos diferentes, praticar esportes, aí acabei transpondo isso para o CD, na verdade foi refletido automaticamente no meu som.

A escolha do repertório, como foi?
Eu fiz Pé na Estrada, Vamos Fugir foi sugestão de um fã, Vagabundo Confesso veio na minha mão, me apaixonou. Champagne, Oh Chuva e Arpex são músicas que eu era louca pra gravar, Estação da Luz gravei porque eu sou fãzérrima do Alceu, Eu vou cantar pintou quando eu já estava no estúdio e um músico começou a cantarolar a letra, que tem tudo haver comigo: ... cantar é andar a pé no meio do engarrafamento....., e Se Toque o Totonho mandou pra mim.

Fala um pouco sobre os compositores convidados.
Eu passei um tempo para fechar esse repertório, chamei novos talentos como o seu Jorge, ex-Farofa-Carioca, um cara que eu admiro, tem uma voz linda e faz o trabalho dele com vibração, tesão. Chamei o Luís Carlinhos, o Rogê, Mu Chebadi, uma rapaziada nova que curte música brasileira e foram influenciados por grandes mestres como Gilberto Gil, Alceu Valença...
Botei uma composição minha, regravei com Alceu Valença, Gil e Bob Marley, que é meu ídolo, sempre com esse espírito de Pé na Estrada, viagem.

Por que Pé na Estrada é a música título do disco?
Quando eu fiz essa música, associei muito ao meu momento que eu estava vivendo, dentro de um motor-home percorrendo a Nova Zelândia. A imagem que eu vi foi essa: um casal que se ama, dentro de um trailer, cruzando um caminho, pé na estrada, atrás das ondas, da vida, com muita sintonia. Eu achei que essa música retratava bem o conteúdo, a intensidade do disco, todas as músicas têm uma relação comigo e com minhas viagens, de hoje e da adolescência.

Vagabundo Confesso fez sucesso antes de você gravar o disco. Como isso aconteceu?
Vagabundo Confesso foi uma surpresa para mim, eu estava filmando o Rolé no sul e o Guga Arruda, um surfista local, me mostrou esse som. Eu me empolguei, cantei essa música sem parar, meu câmera me filmou cantando e foi ao ar. Nós começamos a receber muitos mails elogiando a música e pedindo informações, aí eu gravei um CD demo e botei como trilha do programa. Foi uma explosão, depois disso recebemos milhões e milhões de mails querendo o CD, que não havia. Foi uma dica do público para mim. Daí eu comecei acorrer atrás para gravar o disco.

Este novo trabalho é pop, o anterior de samba, algo mudou?
Eu sou uma cantora bem brasileira, por mais que eu tenha feito um trabalho mais pop, no primeiro disco eu gravei Adoniran Barbosa, Nélson Cavaquinho, Cartola, Luiz Melodia, Rita Lee, João Nogueira. Eu sempre convivi com esses mestres, até porque eram amigos e parceiros do meu pai. Mas coisas mudaram sim, depois que o Rolé entrou na minha vida, eu percebi que tinha gratidão para me jogar, gosto de adrenalina, sou competitiva, meu caminho ficou maior...eu também fiquei mais com a minha cara. Eu amadureci como cantora.

O fato de ser filha de Carlinhos Vergueiro te facilitou?
Não, as portas que tinham de se fechar, fecharam. Mas eu não desisti, decidi que ia fazer o disco nem que fosse bancando do bolso, vendendo meu carro, mas aí eu consegui um investidor. Quando estava pronto a Columbus entrou e conseguimos distribuir pela Universal.

Vai dar para conciliar a agenda de shows com as gravações do programa?
Uma semana por mês eu tenho que viajar para a gravar o Rolé. A gente grava entre 4 a 7 programas, mas rola uma flexibilidade, se eu vou gravar no Maranhão a gente amarra um show por lá. Vou tentar conciliar, a galera aposta em mim, eles sabem o quanto é importante pra mim cantar.

Como surgiu a SporTV na sua vida?
O lançamento do primeiro disco me colocou muito na mídia, eu aparecia em muitas revistas de malhação. As pessoas sempre me relacionavam com esportes. O povo da sporTV viu uma dessas entrevistas e achou que eu tinha a cara do Rio, do programa e em chamou para fazer um teste. Eu fui e estou lá há uns 3 anos.

O que você anda ouvindo?
Farofa Carioca eu amo! Ouço muito Bob Marley, o tempo todo; gostei muito do último disco da Sade, Maxwell é a melhor trilha sonora para fazer amor, Joe Coultrane, Ella Fitzgerald, Billie Holliday, em qualquer fase ou época da vida, Guilherme Vergueiro, João Nogueira, Lúdica Música, Janis Joplin.

Por Mariane Jilek