DORA VERGUEIRO



ADRENALINA PURA



Vivendo essa busca eterna contida em quase todo ser humano à procura de grandes emoções, descobri na adrenalina a melhor de todas as drogas.

Ela vem de um jeito diferente para cada um. Alguns encontram no mar, outros na terra, e outros ainda no ar.

Seja do alto de um drope, despencando em queda livre, ou pisando fundo em um acelerador, os amantes dessa misteriosa sensação sabem o que querem, vivem em alto risco e alta velocidade.

Chegam junto, podem voar, andar sobre as águas, saltar de pontes, escalar montanhas inacessíveis, correr as distâncias tornando invisíveis todos os obstáculos, cruzar os rios, os mares e as cachoeiras quase como num passe de mágica.

Depois da luta da geração dos anos 70, que veio de sola resgatar uma liberdade de expressão amarrada sem pena pelos ditadores que comandaram o circo durante anos no Brasil, os anos 80 pairaram no ar meio sem grande significado. A geração coca-cola como cantou Renato Russo ( que descrevia como ninguém os adolescentes problemáticos, filhos de pais separados) me soou perdida entre as grades dos condomínios e a trilha sonora dos video-games.

Escancarando todos os portões, grades ou janelas pela frente, os jovens radicais dos anos 90 vieram com mais sede e fome de vida, perseguindo de uma forma lúcida e saudável o corpo e a mente, abertos e espertos para mergulhar de cabeça!

Vieram de olhos atentos para todas as cores, atrás do sabor natural das frutas e cultuando o corpo com dedicação.

A coca-cola foi substituída pelo açaí, e em vez de permanecerem hipnotizados pela TV, voltaram para as ruas curtindo uma infância mais livre e solta, quebrando os limites e atravessando as fronteiras. Andar de bicicleta, de skate, descer uma onda de pé, deitado ou de joelhos, passou a ser muito mais do que era antes.

Eles mostraram que podem ser verdadeiros artistas sobre uma, duas ou quatro rodas, sobre pernas, braços, cabeça e coração! Desenvolveram novos esportes, inovaram as manobras antigas e criaram outras, surpreendendo na ousadia e na criatividade.

Abriram espaço para um mercado novo e extenso, e venderam ação, coragem e saúde em vez de overdose de tecnologia, sanduíches industrializados e químicos demais, ou tóxicos que desaceleram o ritmo, atrasam o relógio da vida e destroem os sonhos mais bonitos. Nada iludidos e em plena forma, eles respiram adrenalina pura e são energizados, eletrizados e vitaminados!

Essa galera kamicase por um motivo nobre, viciada em endorfina e pronta para voar cada vez mais alto, mostra a cara e marca presença no ano 2000, praticando esportes mais radicais do que nunca, e contando suas aventuras.

Dora Vergueiro












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